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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Meu lugar

Cidade natal é, teoricamente, onde nascemos. Mas para mim é onde o meu coração está. É aquele frio na barriga e aquela ansiedade ao chegar no trevo e só pensar nos meus pais, nos meus amigos e na comida que só a mamãe sabe fazer com tanto amor.


Quando penso no meu lugar lembro dos momentos e pessoas mais importantes para mim. É a tranquilidade que a natureza nos traz, mas também a agitação do bar da Janete e das festas do Tênis. São pessoas com as quais tenho histórias sem fim. Histórias de alegria, de drama na adolescência, de amores perdidos, de carnavais passados, de recuperações na escola e de criações de laços.

Foi provavelmente onde constituí as melhores amizades e as primeiras grandes brigas; aqueles “belém-belém” intermináveis de um mês. Foi onde percebi que a primeira amiga que fiz ali, antes mesmo de eu me mudar para lá, já não tinha tanto a ver comigo. Embora exista um carinho enorme é estranho perceber que nossas personalidades tomaram caminhos diferentes. E é lá onde todas essas amizades e histórias estão guardadas.

Ir no feriado ou passar as férias na cidade natal é reviver tudo aquilo. É perceber que no teu quarto de lá ainda tem fotos daquele amigo que você nem conversa mais, ou aquela outra do seu aniversário de 15 anos. É remexer nas gavetas e encontrar diários que mantêm segredos mais detalhados do que os contados para a melhor amiga. É achar aqueles Cds que nunca mais ouviu nada vida; é ainda não ter descolado aquele pôster da porta do guarda-roupa; é achar aquelas cartinhas que as amigas escreveram há 10 anos.

Voltar para lá é reencontrar velhos e bons amigos, que por mais distantes que possam estar naquele momento, sabe que estarão sempre ali por você, e que sempre que se juntarem vão cair na gargalhada lembrando de antigas brigas estúpidas e tombos memoráveis. Carangola é isso. É sorriso na entrada e saudade na saída.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Era uma casa muito engraçada

Agora só me lembro do quarto vazio. Dei uma última olhada pra ver como ele ficava sem mim, respirei fundo e fui virar uma página da vida. 

Era um domingo de início de julho. Dos móveis, só a cama tinha sobrado para ainda deixar aquele ambiente com um pedaço meu. Todo o resto tinha sido vendido, e no meio havia uma confusão de malas, caixas e sacolas com as minhas coisas. Coisas, que sabe-se lá por que, tenho há cinco anos guardadas. Mas, especialmente, há quatro, tudo isso residiu na rua Dr. Gil Horta, n° 30 (apt. 404 por três anos e 301 por um e meio). 

 No 404 foi onde tudo começou. Foi ver o quanto aquela amizade ainda poderia ser mais e mais forte. Foi, se não o local das primeiras vezes, o local onde relatei as primeiras vezes pela primeira vez. Foram “objetos jogados ao chão”, beijo triplo, queixo partido, batidinha de manga do Bahamas, playlists para “festas” dentro de casa (ok, era mesmo só eu e Marcela as convidadas), microfone do Silvio Santos, vídeos infinitamente comédias (“Marceeeeeela, Marcelaaaaaaa”), nativos hablantes de español, Copa do Mundo, Paradas Gay, Capricho no banheiro, sessões de séries à tarde e noites sem fim com uma latinha de cerveja na mão e uma boa conversa.
2009, apt. 404
301 já foi época de celular da Dani tocando música 24h por dia, numa altura suficientemente alta e a mesma música com uma frequência um tanto irritante. Quando menos esperávamos, estávamos catarolando pela casa “pirou, mulher? Tá doida, é? Vem que vem com tudo que eu vou dar o que você quer”, sem nem sequer ouvi-la uma única vez porque quisemos. Foram noites de investimento na área da psicologia, de lápis preto na bochecha durante o Halloween do Chalé, de canecas personalizadas, de horóscopo da Capricho, de casa lotada, de TV a cabo de graça (pena que tudo que é bom dura pouco), de depressão pós-TV a cabo, de “Coooorre, Lelenaaaa!”, de miojo preparado no micro-ondas (aliás, naquela época, TUDO era feito no micro-ondas) e de viagens praticamente em família.

2012, níver da Marcela na granja. Época de apt. 301
Morar em república quando todo mundo tem liberdade para fazer o que quer, chamar quem quer para visitá-lo e, melhor ainda, dividir momentos inesquecíveis com as suas amigas de casa, para mim, não é como morar em república. Aliás, nunca usei esse termo. Sempre que perguntavam, eu respondia: “moro com duas amigas”. É isso que elas sempre serão. E os eternos 404 e 301 serão para sempre os nossos lares da época da faculdade. E que as paredes de lá não tenham ouvidos. E, se “Deus quiser”, muito menos câmeras.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Assunto de mesa de bar

Era uma sexta à noite, e lá estava eu com uma velha colega – que, aliás, não sei por que raios nunca viramos amigas – bebendo num bar e discutindo os dilemas da vida. De todos os problemas do mundo, o segundo que mais a incomodou naquela noite foi tentar entender se em algum lugar do mundo existe algum homem que goste do tipo que ela é. Bom, melhor eu apresentá-la a vocês primeiro.

Essa velha colega é divertida, engraçada, muuuuito doida, um tanto atrapalhada na entrega de trabalhos, debochadíssima e tem entre 22 e 24 anos. O ponto crucial da questão dela é que os amigos dela e as pessoas com quem ela se envolve só gostam de mulher certinha, santinha, bobinha, e qualquer “inha” chato que se possa imaginar. 

Primeiro erro: os amigos dela não são o tipo de cara que ela gosta. Então eles, automaticamente, têm que ser retirados como exemplo de qualquer coisa. 

Segundo erro: Chorão cantou aos quatro ventos e não é possível que ela não tenha entendido que “toda patricinha adora um vagabundo”. E a recíproca também é verdadeira. Sinto lhe informar.

Ela está no caminho certo se envolvendo com homens que tenham a ver com ela, que a atraem física e psicologicamente, mas não é bem naquele tipo que tem que depositar todas as fichas. Eles são loucos como ela, divertidos como ela, debochados como ela e, simplesmente, adoram a companhia dela, mas, no fim das contas, acabam a encarando como amiga. Fala sério, ela é o tipo perfeito para ser amiga deles!

Com certeza existe por aí algum cara muito louco, e não tão “vagabundo”, que não a queira só como amiga. E nesse, sim, ela deve depositar todas as fichas que os outros descartaram. Logo, logo o verdadeiro tipo de homem dela vai aparecer por aí, talvez numa mesa de bar discutindo velhos dilemas com velhos colegas. E aí ela vai perceber que valeu a pena todos os ex-ficantes que viraram amigos e não namorados. Amém. Ele tem que estar por aí, porque não é possível que as “inhas” vão conseguir prender todos os tipos da face da Terra.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Para você, o que é felicidade?


Felicidade para mim é quando, no meio da noite, ele vira para o meu lado só para me abraçar. É quando depois de um momento de muitas risadas, nós paramos por alguns segundos olhando e admirando o outro, e em seguida, ele diz “eu amo-te muito”. É quando no meio da rua, ele acha a minha mão e arranja uma forma de tocar em mim ininterruptamente. 

Mas a minha felicidade não se constitui só dele. Como a sua ou a da minha vizinha do andar de cima também pode não depender só de uma pessoa. Ser feliz para mim é também sair para uma festa com a Ju, a Márcia Stela ou a Fran. É uma tarde em casa, com os meus pais, dançando e cantando samba na sala. É passar uma tarde de verão tomando cerveja com o pessoal de Carangola. É relembrar as histórias hilárias e antigas com a Raiana, enquanto todo mundo escuta pela vigésima vez, quando eu a empurrei dentro da sala de aula e ela caiu com a mesa e tudo. 

Ser feliz para mim é trabalhar com pessoas incríveis ao som de “canciones latinas”. É quando eu e Marcela arranjamos um modo de ser feliz a partir do nada. É também quando me jogo no funk ou quando passo o dia em um churrasco ouvindo pagode com o meu pessoal.  É ir a uma festa com a Jéssica e perceber que não perdemos nada da nossa alegria. É ir para Viçosa visitar a Thatá e entender por que ela – que para quem olha de fora é tão diferente de mim – sentou diversas vezes ao meu lado na 7° série até virarmos amigas.

Às vezes a minha felicidade está até mesmo em ficar sozinha na minha casa de Carangola, em um dia de sol, brincando com os cachorros, lendo um livro, vendo “Sessão da Tarde”, que seja. A minha felicidade está aqui e acolá. Está nas pessoas que me fazem rir, nas que me adoram, nas que tenho inúmeras histórias juntas. E para você? O que é felicidade?